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“Os sons das letras e das palavras têm uma vibração intrínseca e fundamental, primeva e mais importante, entendida de forma limitada por todos nós apenas em sua significação temporal, contextualizada por e em cada sociedade, e esta vibração original é de aspecto transcendental, no mesmo nível dos sons produzidos, por exemplo, pelo vento atravessando um buraco e refrescando a nuca num dia de muito sol (som que você sem perceber ouviu e hoje ainda o ouve da mesma forma, sem perceber, e isso ainda te traz a mesma sensação de alívio) ou, por exemplo, o som dos planetas e pedras que flutuam aparentemente a esmo no espaço. Esta vibração fundamental é paradoxalmente subliminar, com resultados não comunicativos por um aspecto humano de sintaxes e sintagmas. Mas este resultado é além do comunicativo, ou supera o significado de comunicação humana, na medida em que o som (tomado exclusivo na forma de quaisquer vogais, e considerada a tonalidade de sua emissão e a natureza do meio pelo qual se propaga) transmite a energia de regulação de sintonia da nossa essência (considerados os níveis de evolução de cada um sobre a percepção das ondas magnéticas mais puras – cada um de nós é um rádio com faixas de frequência diferenciadas), essência de seres aéreos, eternos, cosmoestéticos, multiplanetários, espirituais. Esta essência aponta para um futuro de conhecimento total das coisas.”

Ahn?
Isso sou eu que tô dizendo. Isso é quase um resumo pra minha tese de mestrado. Vou falar sobre a comunicação além da palavra, tratar a palavra como obsoleta e menor que o som (de que é feita), descrever o potencial comunicativo e terapêutico do som, numa relação entre comunicação (e todos estes termos em sentidos não triviais) comunicação, medicina, espiritismo e música.
Enchi o saco de literatice, filosofias, mágoas, perda de tempo, drug stile, papo furado. Ecologistas, hippies, bebedores de qualquer coisa, militantes, enchedores de saco (A fé remove as montanhas; os ecologistas são contra.- Carlos Farielo). Opiniões sobre filme, livro, pessoas, tudo besteira e como diz meu rei e sobrinho Luis Felipe, besteira não! Se há um ponto, vá direto a ele. Se não dá pra ir direto, vá pelo menor caminho. Menor, não melhor. Cada um com suas escolhas e se você acha que as suas são melhores que as de todos e você quer que todos sigam as suas também, você tem sérios problemas de relacionamento e vai acabar sendo chamado de chato e babaca por algum amigo seu.

Acabou, meu caro?
Ensaiei domingo com Denis Carl e esqueci de levar as letras, “Árvore” tem uns trechos, “caminhar (…) cansa menos que filosofar à toa”, “o bonito é aprender a ficar calado na sua”. Se Deus quiser, eu fico mais velho ainda.
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invisível

fico pouco tempo em cima de um touro na colina. pulo dentro da piscina natural que a chuva encheu no buraco do meteoro. trago um cento da neblina sussurrada da menina que correu pelada ainda agora eu vi ela descalça.
fui segui-la, me perdi, mas eu tinha três olhos, mais ou menos. você carrega um bebê que eu nasci pra você.
um por todos. todos dão um sinal de vida. foi um animal estranho, que não sorri, sorriu pra avisar que a menina chama pra banhar no mesmo sonho, ela descalça.
eu sou capaz de ficar invisível.
eu sou capaz de mergulhar e ficar cem segundos
só pensando em respirar.
avisei o rípe bem antes de você
pra não poluir o rio
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